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SÃO PAULO, quarta-feira, 18 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Segundo Dom Mauro Montagnoli, os fiéis leigos estão cada dia mais chamados a atuar no âmbito político. O bispo de Ilhéus (Estado da Bahia, nordeste do Brasil) enfatiza ainda que os representantes políticos têm a obrigação de defender a dignidade da pessoa humana.

Em entrevista a Zenit, no contexto das eleições que o Brasil vive neste mês de outubro, o presidente da Comissão Episcopal para o Laicato, organismo da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), fala sobre a questão dos fiéis leigos e política.

--Os leigos católicos são cada dia mais chamados a participar da vida política do país, não?

--Dom Mauro Montagnoli: Sem dúvida. Inclusive a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) criou o Centro Nacional Fé e Política “Dom Helder Câmara”, que já está funcionando há praticamente um ano, com esse objetivo de formar a consciência política dos cristãos leigos, a fim de que eles possam atuar mais diretamente e eficazmente neste âmbito. Este centro funciona por meio da participação presencial e também à distância e já está formando a primeira turma de 50 alunos. Então há uma preocupação concreta maior no sentido de envolver mais nossos fiéis para que eles possam agir e influenciar segundo os valores do Evangelho o ambiente político.

--Existem instrumentos para as dioceses formarem os leigos em política?

--Dom Mauro Montagnoli: Existem muitas iniciativas e também a preocupação das dioceses de proporcionar esta formação política. Desde cursos, por exemplo aqui [diocese de Ilhéus, ndr] nós temos uma escola de teologia para leigos que trabalha também esta questão do leigo e a política. Temos o conselho diocesano de leigos, que também tem como um dos objetivos exatamente a formação cristã e política dos nossos leigos. Estes são alguns dos instrumentos disponíveis.

--O que os católicos devem exigir de seus representantes no Congresso nacional e também nos Estados, recém-eleitos nas eleições de 1 de outubro?

--Dom Mauro Montagnoli: Devem exigir antes de tudo que se respeite a vida desde a concepção até a morte natural. Depois, a implementação das políticas públicas, porque nós sabemos que existe um modelo econômico no qual o que comanda todo processo é a lei do mercado. E este mercado pouco se importa com os mais pobres, os mais necessitados. Há também a necessidade de se implementarem políticas públicas que ofereçam cuidado de qualidade à saúde, que ofereçam educação, moradia, trabalho digno.

--O tema da liberação do aborto no Brasil pode voltar à pauta do Congresso nacional a qualquer momento em um futuro próximo. O que os fiéis leigos podem fazer para frear os intentos de liberação do aborto no país?


--Dom Mauro Montagnoli: Primeiramente nós temos de estar atentos. E a CNBB está atenta, por meio da Comissão Episcopal para a Vida e a Família. É preciso promover seminários, debates para deixar a população alerta para que não aconteça este desastre da liberação do aborto no Brasil. E o povo tem de ser instruído, informado a respeito do andamento desta questão, que não se limita apenas à não-aprovação do aborto. Ela é mais ampla, se observamos a vida de tantos jovens que estão morrendo por causa da violência, a vida de tantas crianças que também morrem por falta de alimentação, de condições de higiene, de saúde. Portanto a questão da defesa da vida não se limita ao feto, ela é mais abrangente.

--Quais as virtudes que um governante deve ter?

--Dom Mauro Montagnoli: Primeiramente, que os representantes do povo procurem defender a dignidade da pessoa, que sejam leais à defesa do ser humano, pois é uma obrigação a defesa do ser humano. Depois, a honestidade, a franqueza, a transparência nos atos são posturas fundamentais. E a população pode ajudar também, estando atenta às atitudes de seus representantes políticos.


Fonte: zenit.org
Permalink: http://www.zenit.org/article-12853?l=english.



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